Valor Compartilhado – A reinvenção do capitalismo – Parte 3

Para se manter competitiva uma empresa precisa de uma comunidade preparada, não apenas na sua cadeia produtiva, mas também para suprir necessidades públicas essenciais para um ambiente favorável. > Continue Lendo

O capitalismo do pós-guerra – Uma breve analise de 45 até 90

A segunda grande guerra teve a duração de 6 anos, porém suas consequências valeram por décadas de mudanças. > Continue Lendo

A sociedade perfeita – Da concepção filosófica ao Brasil de hoje

Durante toda a evolução da humanidade, o crescimento econômico de uma determinada nação ou figura ditatória está ligado de alguma forma à falta de ética ou moral. > Continue Lendo

Sustentabilidade? Não! Apenas marketing!

Em nosso cotidiano a palavra Sustentabilidade é amplamente utilizada por diversas organizações – economia, engenharia, administração publica e privada – mas o que define uma empresa como sustentável? > Continue Lendo

Crise, uma boa época de lucrar!

Em primeiro plano quando falamos em crise, imaginamos uma rutura no equilíbrio financeiro, gerando queda no consumo, alteração nos preços e depreciação dos valores circulantes. Mas para vários setores, o termo ‘crise’ (crise financeira; crise na saúde publica ou crise internacional) pode ser considerado um ótimo momento para maximizar os lucros. > Continue Lendo

Valor Compartilhado – A reinvenção do capitalismo – Parte 3



Por Lucas Tomas

Origens
Para se manter competitiva uma empresa precisa de uma comunidade preparada, não apenas na sua cadeia produtiva, mas também para suprir necessidades públicas essenciais para um ambiente favorável. Portanto a sua produtividade e a saúde da sociedade são fatores que caminham de forma marginal. Fazendo dessa questão algo que jamais deve ser ignorado.


As pessoas precisam de empresas prósperas nas suas regiões, para geração de emprego, consumo, e todos os outros fatores do fluxo circular da renda. Com o mundo globalizado essa dependência corre grandes riscos, pois sem os incentivos públicos as organizações facilmente migram para outras regiões, deixando um rastro de subdesenvolvimento que pode se estender por décadas.

Milton Friedman (1912 – 2006) criticou o Capitalismo, pois nessa ótica entende-se que as empresas são fontes apenas de lucro, salário, gasto, impostos e investimentos. Realmente, está correto, porém falta um fator importante... Responsabilidade Social.

Após a segunda guerra mundial e a nova missão do capitalismo descrito por Victor Lebow, fomentou-se a incitação do consumo excessivo, alta concorrência e da cobrança acionária por resultados em curto prazo. A solução encontrada pelas empresas para satisfazer as novas cobranças foi o corte nos custos, desde o numero de funcionários até a transferência de toda a estrutura para regiões de baixo valor operacional. O resultado para tais ações reflete no que vemos nos dias de hoje. Disputas nos preços com baixa qualidade e poucas vantagens mercadológicas claras.

Com essa forma de administrar, as comunidades impactadas pelas empresas, pouco tem a ganhar, ainda que os lucros cresçam. E fica claro, que as externalidades são o custo para tal “desenvolvimento”. Mas nem sempre foi assim.

No passado (pré-segunda guerra), as organizações assumiam o papel de responsáveis das necessidades dos trabalhadores e comunidades. Porem, à medida que instituições de apoio social entraram em cena, essa responsabilidade passou a ser desprezada. Com o tempo, e a gestão verticalizada, a ligação entre Empresa e Sociedade ficou cada vez mais distante, não existindo conexão com sua localidade.

Esse escopo de atuação trouxe as organizações uma grande eficiência econômica, mas a qual custo? Segundo os princípios da Teoria Estratégica, as empresas devem se preocupar em gerar Valor, visando o conjunto: Funcionário – Produto – Cliente. Segundo Elizenda Orlickas (2010) Organizações que se deram conta da importância que existe em gerar Valor para seus colaboradores, consumidores, comunidade e meio ambiente estão à frente das demais. A partir desse momento, passamos a pensar como gerar Valor Compartilhado? O primeiro passo é entender o ambiente de negócios e atentar-se ao mercado que a empresa compete.

Vê-se que gerar Valor, é mais do que ser sustentável. É administrar as empresas como um elemento que interage com, e não sob a sociedade. Através de políticas e práticas operacionais que visam o aumento da produtividade ao mesmo tempo que melhoram as condições socioeconômicas.


Referências:
Harvard Business Review Brasil. Disponível em <http://www.hbrbr.com.br/blog>
Orlickas, Elizanda. Modelos de Gestão: das teorias da admnistração à gestão estratégica. Curitiba: Ibpex. 2010

Valor Compartilhado – A reinvenção do capitalismo – Parte 2



Por Lucas Tomas

O conflito na escolha
Um dos grandes mitos na geração de valor é o antagonismo entre os praticas empresariais e as sociais. Grande parcela das empresas acredita que atitudes de geração de valor colocam em risco a lucratividade, não legitimando o pensamento social, resultando em apenas cumprimento de cotas e práticas estabelecidas por governos e órgãos reguladores.

Outro conceito desprezado é a noção de geração de externalidades. As empresas acreditam que no momento que suas influências negativas deixam os limites da organização, param de alterar seu ambiente interno, mas não é bem assim. Um exemplo: Despejar resíduos de sua cadeia produtiva no meio ambiente, talvez realmente corte custos com a filtragem desse material. Mas por outro lado pode contaminar a região de suas instalações, podendo causar prejuízos na saúde dos próprios funcionários da empresa. Ou seja, o gasto economizado no tratamento pré-despejo dos resíduos, retorna para em forma de passivos trabalhistas.

Esse pensamento primitivo ainda molda as estratégias empresariais, que excluem dos seus valores a preocupação com o ambiente externo. Deflagrando a falta de respeito e inconseqüência com o futuro não só da própria organização, mas com todo o sistema. As soluções para essa falta de cultura foi entregue aos governos e ONGs, através de programas de responsabilidade social. Por outro lado, qualquer movimento que busque alterar o modo de agir das empresas é considerado desperdício dos lucros acionários, tornando esse um grande trade-off, pois cada lado assume que o outro é obstáculo para suas metas.

O principio de geração do Valor Compartilhado, entende que não são apenas as necessidades econômicas que definem no mercado sua forma de agir. Acredita que as deficiências sociais, na maior parte das vezes criam custos internos para a empresa, os mesmo custos que poderiam ser aproveitados na geração de passivos positivos. Evitar externalidades é o primeiro passo para enfrentar as mazelas que as corporações deixam, e diversos estudos apontam que praticas de geração de Valor não elevam os custos operacionais, pois esta pode inovar com novas tecnologias, métodos de gestão mais eficiente, aprimorar seus processos internos, e, como resultado obtêm amento na produtividade e expansão de mercado.

Portanto, o Valor Compartilhado não está diretamente relacionado aos valores pessoais, nem na divisão dos valores já gerados pelas empresas. Essa teoria se concentra em aprimorar as técnicas boas, e fortalecer o desenvolvimento de clusters locais, a fim de melhorar a eficiência marginal, assim aumentando o rendimento, qualidade e sustentabilidade nas empresas.

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Referência:
Harvard Business Review Brasil. Disponível em <http://www.hbrbr.com.br/blog>

Valor Compartilhado – A reinvenção do capitalismo – Parte 1



Por Lucas Tomas
Premissas introdutórias
No final de 2006, Michael E. Porter e Mark R. Kramer publicaram na HBR (Harvard Business Review), um artigo fazendo menção à um atual modelo capitalista “sitiado”. Onde o crescimento econômico e desenvolvimento social entraram em um ciclo vicioso de estagnação, sendo que a solução seria repensar uma nova maneira de praticá-lo. Segundo os gênios da administração, a solução seria o propósito do Valor Compartilhado.

Essa metodologia entende que diversas práticas visando o aumento da competitividade entre as empresas além de trazer lucros maiores aos seus acionistas, também pode desenvolver socialmente as comunidades vizinhas à organização.

Nas últimas décadas, as atividades empresariais são associadas como a principal causa dos problemas ambientais e socioeconômicos, tendo sua expansão atribuida à geração de passivos nas comunidades que a cercam, denegrindo a imagem dos grandes conglomerados. É através deste efeito negativo, que a teoria do Valor Compartilhado, chega para se tornar o elo entre o progresso social e econômico.

Não podemos confundir essa metodologia com responsabilidade social ou sustentabilidade, é na verdade uma alternativa de criar valor em um momento em que a baixa confiança dos órgãos legisladores sobre as empresas, os obriga a criar diversas normas que inibem o crescimento econômico – fazendo com que o meio empresarial entrasse em um ciclo vicioso. Sendo assim, essa geração de valor, passa a ser uma tendência para desencadear um grande movimento de inovação e crescimento em escala mundial.

O grande problema de sua aplicabilidade é a falta de renovação na cultura das organizações, que mantém o pensamento ultrapassado de enxergar a geração de valor em algo negativo para os lucros, mantendo longe das suas práticas diversas preocupações que o mercado atual exige. Pensar apenas no corte de custos não garante rentabilidade ao negócio, é preciso garantir o bem-estar dos funcionários e clientes, cuidar dos recursos naturais vitais para suas atividades, entre outras que tanto se fala – agir de forma contraria não é a “solução” para vencer os concorrentes. Os grandes líderes mundiais já têm essa preocupação, internalizando os elementos deste novo modelo, porém ainda não existe um marco que sirva de norte para essas atividades em grande escala.

Embora algumas gigantes do mercado mundial já possuem praticas de Valor Compartilhado (como: Google, IBM, Intel, Nestlé e Unilever), o seu potencial aplicatório ainda é incipiente. Para que se materialize, líderes e gerentes devem mudar suas formas de enxergar o mercado, adquirindo uma profunda apreciação das necessidades da produtividade, transpondo a fronteira entre lucratividade e valor agregado. Já ao poder público, cabe o aprendizado de regular normas a fim de fomentar essa cultura.

O capitalismo é um meio inigualável para satisfazer as necessidades humanas, aumentar a eficiência produtiva, gerar empregos e aumentar a riqueza. Só que em sua concepção, nuca houve preocupações em enfrentar os grandes desafios da sociedade, e observamos apenas a negligência dos agentes mais fortes em promover e lidar com as questões a nossa frente.

Os propósitos institucionais devem ser redefinidos, assim como o Valor Compartilhado, e deixar de vislumbrar o lucro por si só, mas sim alimentar uma nova onda de inovação e crescimento na economia global. E aprender a gerar valor, talvez possa ser a melhor forma de legitimar as atividades empresariais.

Referência:
Harvard Business Review Brasil. Disponível em <http://www.hbrbr.com.br/blog>

O capitalismo do pós-guerra – Uma breve analise de 45 até 90




Por Lucas Tomas
A segunda grande guerra teve a duração de 6 anos, porém suas consequências valeram por décadas de mudanças. Houve descolonização da África e Ásia, antagonização do mundo em blocos distintos (EUA e URSS, período conhecido como guerra fria – 1947 a 1991), polos decisórios descentralizados e a expansão do capitalismo em todo o mundo.

Analisando a questão do capital, os 25 anos subsequentes ao término da guerra, representaram um alto crescimento econômico, alavancando o rendimento real e o consumo de bens (principalmente depois da declaração de Victor Lebow), tornando essas circunstancias inéditas na história do capitalismo.

O período feliz terminou já na década de 70, tendo níveis gerais de crescimento menor, crises cíclicas, poucos aumentos salariais – quando houveram – e níveis altos no desemprego. Sendo observado o inicio das dificuldades dos países mais desenvolvidos em acumular riquezas.

Essa crise foi à consequência do poder do trabalho, que nessa altura era muito forte nas principais regiões capitalistas (Europa e América do Norte). O resultado foi um grande peso referente aos valores salariais; os sindicatos estavam bem organizados e tinham grande poder sobre o estado em períodos eleitorais. Mas isso é um problema para o capital.

Por isso, tiveram que disciplinar o trabalho, e fizeram-no de várias formas. Principalmente através da abertura nas economias nacionais para à competição mundial. Disponibilizando acesso aos recursos à oferta de trabalho em qualquer parte do mundo, culminando na aparição de uma nova potência mundial... Entra em cena a China! Este período passa a ser marcado pelo enorme crescimento no sistema financeiro, também chamado de financeirização, fenômeno responsável pela intensificação das crises.

Neste momento o capital ganhou o poder de deslocar-se para onde quisesse, com muita oferta de mão de obra, tornando-a de baixo valor. Posteriormente essa questão gerou um problema no rendimento social, culminando na diminuição da procura por bens e serviços (como é obvio o salário é essencial para o consumo dos produtos agregados, que por sua vez é um elemento no fluxo circular da renda). A solução encontrada para reestimular o consumo foi à liberação crédito a todos (para a alegria/tormento dos consumistas).

Assim tivemos a invenção da economia ou sistema de crédito, que ganhou força e rápida expansão nos anos 80 e 90. Com a missão de preencher o déficit no consumo gerado entre o que os trabalhadores ganhavam e consumiam, o credito tornou-se ao longo dos anos uma ferramenta privada para a extorsão pública, pois sua aparente funcionalidade é perigosa quando são observadas as taxas e juros que o corresponde. Mas, analisando o contexto geral o crédito foi a solução contra a crise dos anos 70, porém gerou outras crises ao longo dos anos.

Surge uma potência brasileira – Uma análise sobre a nova classe média




Por Lucas Tomas
Segundo a Organização das Nações Unidas (ONU), nos últimos anos o Brasil vem melhorando o seu nível no Índice de Desenvolvimento Humano (IDH). Embora ainda ocupe uma posição vergonhosa - 84º colocação com 0,718 pontos - para um país que possui a 6º maior economia do mundo, essa melhora lenta e constante pode ser atribuída a dois principais indicadores: expectativa de vida e renda nacional bruta maior. Vou focar essa matéria neste último indicador (aumento na renda nacional bruta), mais precisamente referente à nova classe média brasileira, que sofreu um aceleramento recente graças às políticas sociais realizadas pelos últimos governos.

A constatação da importância atribuída à nova classe média deve-se aos indicadores apresentados nos últimos anos, representado um aumento de 22,8% na parcela da população presente nesta faixa econômica entre 2004 e 2008, tornando os índices não apenas quantitativos, mas qualificam uma explosão do consumo nacional. Demonstrando aquisições históricas de bens e serviços antes carentes para a maioria da população.

A importância dessa classe é associada ao fato dela representar a imagem mais próxima da sociedade brasileira, demonstrando uma tendência à melhora nas condições sociais a nível geral, tendo uma redução na miséria nacional, transformando regiões antes discriminadas e castigadas pela pobreza como Norte e Nordeste em reais potências econômicas. Vemos um Brasil em franca evolução, saindo do grupo dos emergentes, ganhando formas de nação evoluída e figurando com respeito entre os “tremendões” da economia mundial. Devendo grande parte dessa evolução ao protagonismo da nova classe média.

Ao observamos essa evolução econômica (redução na desigualdade desde 2001 e da pobreza desde 2004), notamos que foram culminadas graças ao programa de transferência de renda oficial do governo, e pouco se devia aos avanços estruturais, tornando um crescimento não sustentável. Somente a partir de 2006 é que esse panorama começou a mudar, agora o que observamos é um Brasil gerador de renda através do trabalho, favorecendo cada vez mais a redução da carência social. Depois de duas décadas de avanços perdidas, a retomada do crescimento na ultima década torna-se um capítulo inédito na história brasileira.

Além do protagonismo da renda oriunda do trabalho e os investimentos governamentais, precisamos incluir nessa análise o contexto internacional. Diferente de boa parte do mundo que mergulha em uma densa recessão, o Brasil segundo agências de notícias internacionais é a bola da vez, não para crise, mas de oportunidades. Nossa realidade econômica está transbordando em um sentimento de prosperidade, observamos de camarote o mundo experimentar elementos que até pouco tempo figurava no epicentro da nossa economia, e pela primeira vez em mais de trinta anos ao pronunciarmos a palavra “crise” não estamos falando do Brasil.

Certamente ainda temos muito que melhorar, tornando essa margem fundamental para que a expansão econômica ocorra de forma sustentável, porém temos que estar ligados, toda essa responsabilidade exige uma política séria e interesse da população em fiscalizar. Vamos colocar em pratica o famoso slogan “Brasil, um país de todos”, e participar de forma ativa. Estamos melhorando, porém podemos muito mais!