Valor Compartilhado – A reinvenção do capitalismo – Parte 3



Por Lucas Tomas

Origens
Para se manter competitiva uma empresa precisa de uma comunidade preparada, não apenas na sua cadeia produtiva, mas também para suprir necessidades públicas essenciais para um ambiente favorável. Portanto a sua produtividade e a saúde da sociedade são fatores que caminham de forma marginal. Fazendo dessa questão algo que jamais deve ser ignorado.


As pessoas precisam de empresas prósperas nas suas regiões, para geração de emprego, consumo, e todos os outros fatores do fluxo circular da renda. Com o mundo globalizado essa dependência corre grandes riscos, pois sem os incentivos públicos as organizações facilmente migram para outras regiões, deixando um rastro de subdesenvolvimento que pode se estender por décadas.

Milton Friedman (1912 – 2006) criticou o Capitalismo, pois nessa ótica entende-se que as empresas são fontes apenas de lucro, salário, gasto, impostos e investimentos. Realmente, está correto, porém falta um fator importante... Responsabilidade Social.

Após a segunda guerra mundial e a nova missão do capitalismo descrito por Victor Lebow, fomentou-se a incitação do consumo excessivo, alta concorrência e da cobrança acionária por resultados em curto prazo. A solução encontrada pelas empresas para satisfazer as novas cobranças foi o corte nos custos, desde o numero de funcionários até a transferência de toda a estrutura para regiões de baixo valor operacional. O resultado para tais ações reflete no que vemos nos dias de hoje. Disputas nos preços com baixa qualidade e poucas vantagens mercadológicas claras.

Com essa forma de administrar, as comunidades impactadas pelas empresas, pouco tem a ganhar, ainda que os lucros cresçam. E fica claro, que as externalidades são o custo para tal “desenvolvimento”. Mas nem sempre foi assim.

No passado (pré-segunda guerra), as organizações assumiam o papel de responsáveis das necessidades dos trabalhadores e comunidades. Porem, à medida que instituições de apoio social entraram em cena, essa responsabilidade passou a ser desprezada. Com o tempo, e a gestão verticalizada, a ligação entre Empresa e Sociedade ficou cada vez mais distante, não existindo conexão com sua localidade.

Esse escopo de atuação trouxe as organizações uma grande eficiência econômica, mas a qual custo? Segundo os princípios da Teoria Estratégica, as empresas devem se preocupar em gerar Valor, visando o conjunto: Funcionário – Produto – Cliente. Segundo Elizenda Orlickas (2010) Organizações que se deram conta da importância que existe em gerar Valor para seus colaboradores, consumidores, comunidade e meio ambiente estão à frente das demais. A partir desse momento, passamos a pensar como gerar Valor Compartilhado? O primeiro passo é entender o ambiente de negócios e atentar-se ao mercado que a empresa compete.

Vê-se que gerar Valor, é mais do que ser sustentável. É administrar as empresas como um elemento que interage com, e não sob a sociedade. Através de políticas e práticas operacionais que visam o aumento da produtividade ao mesmo tempo que melhoram as condições socioeconômicas.


Referências:
Harvard Business Review Brasil. Disponível em <http://www.hbrbr.com.br/blog>
Orlickas, Elizanda. Modelos de Gestão: das teorias da admnistração à gestão estratégica. Curitiba: Ibpex. 2010